Demos da Quarentena – A Viagem

Belial

Impossibilitado pela dama pestilenta, que nos proibiu determinantemente de aceder às portas, não posso observar os homens. A minha queda aconteceu precisamente por isso: olhei para os homens com demasiada atenção. Tanta que me esqueci de ser anjo e quis ser como um homem. Mas um homem tem sexo e tem costas e, naquele momento, eu apenas ardia como um olho em chamas. Por isso continuei a observar, até cair, passar por eles, e me instalar ao lado do meu irmão Lúcifer no trono dos infernos.

Demos da Quarentena – Outra Vida

Lucifer

  O meu problema é que me estão sempre a meter em filmes. Filmes que nem sequer são os meus. É uma coisa que me perturba, porem-me como um tipo de homem musculoso e sensual, com cabelos negros molhados da água do Letes caindo sobre a marmórea face. Uma merda. Ou quando me poem não como musculoso mas como estiloso, de fato e gravata, a lutar contra os meus amigos para espalhar as forças do bem. Foda-se. Eu odeio as forças do bem.

Demos da Quarentena – Sexualidades

Asmodeus

Para falar convosco com toda a honestidade, o problema principal de ter três cabeças é mesmo pensar. Se a minha cabeça humanoide pensa gravemente em coisas importantes, como o sentido da vida, as necessidades imediatas de Lúcifer meu senhor…. Por vezes até penso em pintar o círculo onde vivo, com as suas planícies acariciadas pelas correntes e ar, e essas almas todas a serem levadas pelo vento, batendo umas contra as outras…. É tudo tão belo!

Demos da Quarentena – A Perda da Liberdade

Dragão Vermelho, Byron

Eu sou o ascensorista. Trago o elevador para cima, depois de o levar para as profundezas, para que os seus passageiros vão ter com o meu senhor. Belial é o nome dele, como sabem. Sinto-me feliz quando lhe dou alimentos, porque ele está sempre com fome, isso aliado à vontade de comer. Ele quer mais e mais e nunca partilha nada com ninguém. Não me importo, porque sou apenas o ascensorista.