De Olhos Postos no Chão

Posições de poder. Revelam confiança, amor-próprio, poder atractivo sobre os outros. E entre elas encontra-se a base de tudo: olhar em frente, peito para a frente, ombros direitos. Mas eu, por alguma razão, estou de olhos postos no chão.

Não é que eu não tenha confiança. Tenho, apesar de não ser transbordante. Mas tenho um poucochinho, que será mais ou menos o suficiente. É porque, como dizia um amigo meu de há muitos anos, “se olhares para o chão, encontras mais coisas do que se olhares para cima”.

E é verdade. Encontro muitas coisas quando olho para o chão. Além de baratas, beatas, pastilhas elásticas e cagalhões (canídeos e humanos). Encontro cartas de jogar, muitas, todas com ocultos significados. Cartas Pokémon e dos Gormitis e de outra bicharada do género. Encontro dinheiro, desde moedas de um cêntimo – as mais comuns – até notas perdidas, por vezes em rolos. Encontro isqueiros e canetas, que por vezes funcionam. Encontro chaves, de portas desconhecidas. Encontro agendas e livros, usualmente das Testemunhas de Jeová. Encontro pedras, pedras vulgares mas maravilhosas para mim, porque gosto delas. Encontro penas, nem sempre de pombo. Também encontro animais mortos. Encontro macumbas misteriosas em esquinas. Encontro comida perdida.

Acho que isso faz com que as minhas viagens de um lado para o outro sejam um pouco mais divertidas, um pouco mais imaginativas. Olhar para o chão é muito mais interessante do que olhar para os outros.

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