Disse então o padre católico

Fui ver o filme “Fantasia”, dos estúdios Disney, no cinema da biblioteca municipal próxima da minha casa. Foi uma das experiências mais desagradáveis a que assisti nos últimos tempos, que veio como uma fruta estragada pontuar as minhas preparações de Yule.

Sabia que este filme fazia parte de um ciclo de cinema com tema católico, que penso vir a propósito das festividades da natividade do profeta respectivo. No entanto, não esperava de todo uma introdução. Para desespero de todas as crianças do público, duas pessoas discursaram sobre o filme que iríamos ver, chamando-o de “provocador” e outros epítetos do género. Gostaria de comentar aqui o discurso do senhor que representava a instituição eclesiástica em questão.

Disse então o padre católico muitas coisas que nada tinham a ver com o filme. Não referiu nada de muito importante sobre a película, apenas que era de 1940 e que tinha sido o primeiro filme em stereo nos cinemas. Poderia ter referido outras coisas inócuas, como ser o terceiro filme de animação do estúdio ou ter sido criado com o objectivo de fazer uma colecção. Porque o “Fantasia” é um poço de criatividade e de qualidade de animação, experimentando técnicas revolucionárias numa época em que não havia qualquer tipo de recurso digital.

Fantasia

No entanto, fez questão de frisar três pontos que me chocaram ao ponto da ofensa, perante a qual apenas consegui começar a rir. Então:

  • Walt Disney era cristão mas pertencente a uma “experiência religiosa americana”
  • As crianças estão problemáticas porque acreditam em coisas que não existem, nomeadamente bruxas e feitiçaria
  • A celebração de Hollow’s Eve, o nosso Samhain, não passa de uma “fantasia do terror”

Todo este discurso vem completamente fora do propósito do filme, que não tem nenhum significado obscuro religioso. Foi extremamente rude e uma falta de consideração não respeitar o facto de poder haver pessoas de outras religiões naquela sala.

Já que o senhor padre católico fez questão de usar do dom da palavra na abertura de um filme de animação para evangelizar subtilmente as criancinhas do público, poderia ao menos tê-lo feito sem ofender religiões ainda anteriores à do seu deus uno e trino, cujas tradições ainda se mantêm vivas.

Deixo o recado ao senhor padre católico:

Podem ter queimado muitas bruxas, mas não nos queimaram a todas

Rahmart - Proud Witch

 

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